segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Estação 0.1





Esta é a estória de João, um menino ribeirinho nascido na Ilha do Marajó, dotado de estupenda sensibilidade que o conduziu ao desconhecido multiverso compartilhado com sua amiga Silvia, uma Arqueóloga, suas experiências fora do corpo. Na busca pelas origens Pré-colombianas, Silvia descobrirá algo maior. No encontro desses dois podemos quebrar os paradigmas que negam a existência do espaço multidimensional.

Meu nome é João. Tenho 26 anos, moro quase na linha do equador, não tenho nível superior. Nunca fui testado, mas, presumo que vivencio experiências lúcidas fora do corpo.
João - 12 de setembro de 2007

Meu nome é Sylvia este é meu segundo livro, inspirado nos relatos de João que tive a honra de conhecer em 2007, no Marajó-Pará.
João é um nome de ficção, ele me pediu que não revelasse sua identidade. Sendo assim, seus dados originais, sendo eles de endereço nos meios de comunicação e derivados, não foram autorizados para a promoção desta estória. Desta forma, me coloquei como ouvinte em primeiro plano e em seguida relatei neste livro as experiências fora do corpo do menino chamado João.

                                                                           Belém-Pará, 05 de Outubro de 2016



Quando eu era criança duas coisas não saiam da minha mente: um visitante noturno que não dizer quem era ou o que era que desapareceu repentinamente atrás da máquina de costura da minha mãe. E a minha primeira experiência fora do corpo. Contou João.
Foi no ano de 2007 que encontrei João. Viajava num translado do porto de Camará, na Ilha do Marajó. Estava pesquisando a cultura indígena da idade pré-colombiana que habitou a ilha antes da descoberta oficial do Brasil. Estava voltando para a capital de Belém-Pará, com resultados reais sobre os índios de salva-terra e toda a ilha Marajoara. E enquanto viajava por quilômetros de mata fechada, centenas de igarapés e mangues, árvores de mais de 25 metros de altura nos silenciavam por minutos e à nossa frente exibiam - se garças, guarás e gaviões. Não havia porque não debater com João, coisas referentes à vida, a natureza e com certeza da natureza estranha que media o homem. E nesta natureza estranha pode se referir a muitas coisas, mas era a história de João que passou a me interessar a partir daquele evento compartilhado pela a sensibilidade de duas pessoas incomuns.
João era cria ribeirinha do Marajó, mas estava morando com a tia na periferia de Belém. Uma vez por mês ele visitava a mãe e mais cinco irmãos. Ele era o mais velho deles e teve a oportunidade de estudar e aprender a ler.
Havia em João uma caridade nata, seus olhos atravessavam as coisas que acreditamos existir e que geralmente são coisas óbvias e que não nos custa muito perceber. Num instante eu compreendia a vida dura que ele levava. As escolas das periferias são escolas decadentes. Não comportam muitos estudantes. São raros aqueles que conseguem ler um livro por semana, ou que possam falar de assuntos universais.
Para mim João era um menino raro, e a partir de então nos tornamos amigos.
Eu já não morava com meus pais, vivi em outra cidade por mais de cinco anos, de lá pra cá nem sabia mais de onde tinha vindo: se era da terra, de Sirius ou da constelação de Orion. O que sabia, era que há milhões e milhões de anos o homo sapiens olha para o céu. E milhões e milhões de estrelas nascem e morrem por quase uma eternidade. E milhões e milhões de anos-luz nos separam das comunidades intergalácticas.
Falar sobre a terra é razoável. Mas falar do espaço, da vias-láctea que não conhecemos, e nem estamos acostumados a estudar é no primeiro instante, interessante e descartável. A partir do momento que passamos a achar ridículo acreditar em vidas fora do nosso sistema solar, todo esse aparato alienígena perde o sentido e a seriedade, logo desfocamos para a nossa vida real.
Nunca fui estudiosa do assunto. A ufologia perdeu para a literatura nos meus jovens anos repletos de aventuras e rebeldia. Os remanescentes da cultura transviada dificilmente se interessam pelos assuntos das estrelas e das cidades acima de nossas cabeças. O interesse pela vida fora do planeta Terra surgiu com o romantismo das telenovelas que o cinema adaptou com máxima maestria. Aos 26 anos, João não tinha apenas um foco, assim como não tive na idade de João. Logo é impossível para uma pessoa sem estrutura, que precisa contar os níqueis para comer, se interessar pelos segredos do universo.
Não soa pejorativo dizer que um pobre não pode ir muito longe!
Porém, toda a regra tem exceção e dos milhões e milhões de pessoas espalhadas pelo mundo há sempre uma que possui capacidades especiais.
Há sempre aquela que é diferente, que tem uma percepção de grau indiscutivelmente excepcional.
Gênios não nascem todos os dias. Evolução da espécie... Somos uma espécie! Basta olhar para as crianças de três anos e confirmar tal verdade. O que acontece no campo da eugenia não é assunto que domino, mas sei que há avanços e às vezes, avanços que a maioria nem sequer suspeita.
João é um desses gênios perdidos na periferia. E eu, sua ouvinte, pude confirmar a verossimilhança do menino ribeirinho, para o menino além das fronteiras humanas. Não tive medo de me envolver com sua estória, mesmo porque havia conhecido pouca gente que tem por naturalidade, experiências  fora do corpo. Eu perguntei ao João como acontece.
Desde pequeno sempre fui ausente, por muitas e muitas horas não estou aqui. Às vezes quando me dou conta, olhos vigilantes me monitoram com olhares de repúdio e ironias. Sei que são pessoas muito vazias de Deus e muito cheias delas mesmas. Falou João abaixando a cabeça.
João calou por longo tempo. Nossa amizade era leve e gostávamos de nos encontrar no Bosque Rodrigues Alves na Cidade de Belém, onde eu corria pela manhã e onde o som era agradável e disso ele também gostava.
Fui uma pessoa muito diferente de João. Ele era reservado, tímido e de poucos amigos. O contrário de mim na idade dele. No bairro onde cresci fui muito popular. As casas eram bem coladinhas na outra de modo que um quarteirão inteiro parecia um Cruzeiro no oceano atlântico. As noites a gente costumava beber e falar besteira. Alguns namoravam e outros tocavam violão. João não se envolvia nos meios sociais. Ele era mesmo uma pessoa estranha no bom sentido da palavra.
Neste lado do mundo de postes elétricos intermináveis, cujos fios visíveis no ar, capturam pipas e trucida pássaros; mais que isso, pra não dizer o contrário, são as casas que balançam nas palafitas, e os trabalhadores que tapam a lama com a areia do último solo seco. Nestes lugares todo tipo de cultura barata chega a ser plausível quando o mundo não passa disso.
Lugares sofridos e monitorados por homens corrompidos pela grande investida das elites governamentais. O amor pelos aflitos se tornou clichê e fora de moda até mesmos pelos agentes da ONU que estavam em crise. E isso fazia crescer a depressão das cidades. Os crimes bárbaros voltaram de suas cinzas e passaram a sondar os sobreviventes do submundo. Nas cidades bandidas, de saques e roubos a céu aberto, gritavam mais aqueles que matavam do que aqueles que morriam. Ataques entre policiais e infratores de último grau, fizeram nascer uma guerra entre dois mundos. E por mais de meio século os dois mundos trocam tiros.
Porém, haverá sempre um boteco no gueto, um Pub no bairro e uma quadra de futebol.


Enquanto o clube Baldenberg empina sua cabeça, um monte de iletrados e suburbanos flamejam nos clubes do bairro em mais uma partida de futebol transmitida em tempo real. O suor e a cerveja são os passes para a euforia. A camisa do time, as mulheres gostosas, os homens de barba, enfim, assim se ajeita o bairro. É cada um mais parecido com o outro.
Dentre todos esses seres teleguiados pela televisão que vende produtos baratos para quem dificilmente compra um livro para ler. Há sempre um gênio camuflado, escondido na sua caixa de cimento cru, pendurado em algum morro, ou mesmo vivendo dos restos de alguém que nem sabe por que tem mais dinheiro do que QI. Por mais duro que seja admitir... Isto é fato.
Este era o cenário onde João cresceu. Ele vivia dos restos dos restos que a tia ganhava. Bom aluno em tudo... Tinha tanto pra oferecer, mas se calava.
Para a maioria dos garotos da classe média os termos corpo, mente e espírito passam batidos. Estou me limitando. É A PERGUNTA QUE NUNCA FAZEM.



Eu perguntei a João onde aprendeu a pensar de forma tridimensional. E ele me respondeu:__Eu queria ver meu rosto, minha mente e meu espírito de uma só vez. E quando isso aconteceu, rasgaram-se as malhas que separavam os mundos, seja por classes sociais, religiosas, ou mesmo geograficamente. Por mais doido que isso possa parecer... Algo me chamou para o alto.
Era 2007 e havia uma onda de pensamentos alienígenas envolvendo todo o planeta. Alguns tiveram a sorte de visualiza-los a olho nu.
O que era? Perguntei. E ele me respondeu: __Não sei o que era, mas esse tipo de vida era responsável pela luz eletro estática que desafiava a gravidade da terra. Outros capturavam por vias sonoras informações vibracionais de entidades superiores à inteligência sapiens.
O ano de 2007 apresentava dois extremos: o homem matando o próprio homem com sua invenção bélica, mais bárbara, o nascimento de uma nova linha de pensamento que originou a materialização da neurociência, o desenvolvimento da nanotecnologia, o avanço da robótica, descobertas de energia livre e mais outros tipos de pensamentos antigos que se alinhavam com os novos. De repente acontece a ressurreição dos deuses do Egito, Grécia e Celtas de uma só vez! Em pouco tempo após essa linda explosão pagã, jogos de oráculos estavam disponíveis na internet. E coisas como estas aproximaram a Europa da América, a América do Oriente e todas as pátrias tinham um interesse universal.
O mundo tridimensional estava acontecendo num estalar de dedos.
João tinha razão, mas o ano se apresentava sensacionalista. Sabemos que o sexto poder jamais vai deixar de ganhar com uma novidade tão antiga, mas este ano também foi o ano dos véus caídos.
Nada mais ficaria velado, até mesmo as transações bancárias ficaram expostas, coisas que ninguém se interessava: de como funcionava o crédito sem limite do dinheiro de ficção, as notas das empresas de alto porte, o sistema de financiamento público, privado e furtado.
Até o deficiente físico passou a ter esperança, pois, poderia ter um novo membro com a evolução da robótica que funcionaria por meio dos neurotransmissores. Sim, o ano de 2007 foi uma explosão de acontecimentos!
João estaria fascinado com este impulso? Ou era mais que isso?
Perguntei a João se ele estava vivendo nesta evolução.
__Sim. Mas não nesta. Eu vivo aqui, estou aqui, mas não estou ao mesmo tempo.
__ Como é isso perguntei, e ele me respondeu:
__Isso está acontecendo com muita gente. Elas podem viver e pensar coisas diferentes no mesmo espaço-tempo. Umas ficam no tempo passado no próprio presente, outras já conseguem visualizar, pensar e viver numa quarta dimensão! Só se consegue ir para a quarta, depois de entender a terceira. O ser humano morre sem entender nem mesmo a segunda! Disse João.
__E depois da terceira. O que tem na Quarta? Perguntei, e ele me disse:
__Chega um momento da evolução e da lei das possibilidades que o corpo físico perde massa.
__Quantas dimensões existem?
__Não sei, mas são muitas. Acredito que é infinito.
__Uau! E onde estamos agora?
__Ainda estamos na terceira.
Estamos diante de um mundo de coisas que se repetem. Disse João.
__Eu sei que existem lugares no céu onde Deus é uma presença infinita e incontestável!
Até então meu sentimento teológico por Deus me limitou a crer nos sacramentos, nos ritos, nas tradições e no que permanecia fixo. Olhei para João e perguntei:
__Deus é o que então?
__Para mim é tudo e todos, é união e conexão perpétua.
__Como consegue tocar este santuário de consciências tão sublimes, João?
__Faço viagens fora do corpo. Respondeu.
__Como faz isso? Você usa algum tipo de psicoativo?
__Não. É natural.
__Como acontece e quando acontece?
__A primeira vez eu ainda era criança. Eu saí do quarto da minha mãe e voei por quase todo o rio Amazonas. Vi tudo que não se podia ver sem um avião. Foi a primeira vez que eu vi a cidade de Belém, mas eu não falei pra ninguém. Anos depois, já morava com minha tia. Saí novamente pela a janela do meu quarto e vi a cidade bem longe e bem pequena. Eu nunca tinha viajado de avião naqueles anos, mas a vista é como se eu estivesse num avião se distanciando da cidade fazendo com que ela ficasse pequeninha, até se tornar pontinhos de luz.
João continuou...
__ Tentei conversar uma vez com um formando em Ciência e ele me aconselhou a não falar mais sobre isso. Nem deu crédito, e isso ficou para os espíritas.
__Você faz isso sempre que quer ou não? Tem controle sobre isso?
__Não. Só percebo que acontece e quando acontece. Eu permito. Eu não tenho medo. Um dia fui mais longe, aí eu tive medo.
__Por que?
__Porque eu não estava mais na terra.
__Onde você estava?
__Numa estação de veículos voadores de várias formas e tamanhos. Bem distante da terra.
__Deixe – me entender. Essa estação é como um aeroporto?
__Sim. Mas diferente.
__Fala João, me conta tudo.
__Dei um nome para este terminal, Estação 0.1. Esta experiência me possibilitou uma aproximação com a energia sutil do universo, onde está presente a matriz de toda a existência consciente, seja ela humana ou alienígena.

João continuou com serenidade...
__As densidades se tocam e se separam numa espécie de atração e repulsão. A matéria é densa e não vai além dos efeitos estimulados por processos químicos (como drogas). Fazer uma viagem com drogas ou qualquer agente para esta viagem é algo possível, mas nada parecido com a viagem fora do corpo por processos naturais. Esta experiência é algo possível e original. Os românticos chamam esta experiência de viagem no tempo. Na verdade um corpo denso não viaja no espaço-tempo. Ele precisa de um veículo superior ás espaçonaves já inventadas pelo homem. Um veículo voador que supera a aerodinâmica de nossos aviões clássicos e de combate. Uma coisa que instituições sérias pediram sigilo.
__Por que? Perguntei, e ele continuou:
__Eles sabem que existe um tipo de inteligência nos ares que não é a nossa e para nos distrair eles colocaram no meio das verdades, mentiras e anedotas espetaculares para fazer disso um show de entretenimentos virtuais. Assim apagam agentes como Dr. Steven Gree e seu centro de pesquisa de inteligência alienígena. E quem mais se serve dessas mentiras é a indústria cinematográfica que fala verdades misturadas com ficção.

João sabia do que estava falando e continuou enfático...
- No centro de tudo não sobrevive o subversivo, o marginal fica nas margens não é mesmo? Mas isso é uma vantagem para os estudiosos e pesquisadores que trabalham as escuras, para não virarem alvo de especulação do governo. Preparado para sabotar tudo aquilo que não faz parte do sistema de controle. A Central impõe o uso capital monitorado por agentes em acordos comuns. A pirâmide social hoje é mais nítida e ficará ainda mais visível com o passar dos anos. Hoje ela possui só duas classes: A população fabricada e as instituições privadas que controlam as fábricas, sejam elas de matéria física ou em nível intelectual.
O tribunal tolera “esses agentes” porque além dela há um poder funcional que vive de si mesmo. É como se eu fizesse um bolo e depois o comesse todo.
E tem o poder militar que trabalha para esses agentes intelectuais que articulam planos de batalha, estratégias de guerra e poderio das potências em áreas como a indústria automobilística, petróleo, serviço de informação secreta e o sigilo bancário.

A viagem fora do corpo foi um chamado e isso modificou não só a minha estrutura pessoal, como avançou no meu entendimento sobre o plano espiritual, que não fica jamais separado do homem matéria, ou da ciência. Os projetos científicos de interesse do governo vivem da verba do governo e a NASA faz parte disso. Estão todos ligados à inquisição perpétua das famílias de prestígio que sempre manipularam as informações capazes de mudar para sempre seus esquemas financeiros. A pirâmide dividida em aristocratas, sociopatas e soberanos egoístas, que possuem exércitos e bancos próprios sacrificando a terra e toda a população terráquea para fins que só eles sabem, mas, que jamais beneficiará pessoas como nós.
Essas potências ignoram e destroem patentes que desenvolvem tecnologias e descobertas no ramo da genética, geográfica, robótica, mecânica e energética, para interferir numa mudança que certamente destruiria o abuso de poder e lucro interminável, destes controladores, magnatas, mafiosos e altamente  organizados.




Vi os olhos de João assustados. Suas mãos tremiam. __Você se emocionou João? Perguntei.
__Sim. Porque quando eu voltei da Estação 0.1 percebi que não queria mais viver aqui. Que não era mais um lugar para mim. Era muito diferente de lá. Mas essa informação não faz diferença em meio às verdades motoras da raça humana. Por isso me escondo nos livros. E recordo das noites em que eu só precisava olhar para o céu. E ao invés disso eu olhava para o inferno de todos os tipos de depressões que leva o homem a alimentar o medo da vida real.
Era 2007 e eu estava olhando para um menino da periferia que falava de coisas que nunca tinha ouvido alguém falar. Nem nos filmes e nem nas novelas. E me lembrei que minha bolsa estava cheia de sedativos. Sedativos farmacêuticos nunca foram tão vendidos até então. Ninguém queria ver com suas próprias antenas no que o mundo tinha se transformado.
A grande massa populacional estava doente. Sofria de uma espécie de necessidade de consumo exagerado. Eram pessoas que vendiam a alma por um objeto perecível.
Os valores mesquinhos e a imoralidade tomaram conta das capitais e de seus adjacentes. De forma que seu descrédito aterrorizou os tradicionais que queriam a todo custo deixar tudo no seu lugar. Como se fosse possível sobreviver ao arrastão de mudanças e subversão de valores humanos. Chegou a era da tecnologia de massa, do virtual versus o real, da invasão da privacidade e da quebra de tabus, tratados e acordos. A exposição do homem é uma telenovela interminável de erros e coisas repetidas. Uma sucessão de erros. Cada um de nós possui o código profético da besta que interrompe nosso processo evolutivo, nos movendo como marionetes disponíveis a todo tipo de infrações e também de interrogações.
O eco das massas gera uma grave depressão e desconexão com nossa fonte original. Trouxeram-nos grandes feridas e sofrimentos. Eu tinha que concordar com João, nunca houve uma sociedade tão depravada e tão malvada como a nossa! Nem a babilônia descrita na Bíblia é tão fétida como o odor da nossa falta de amor e compaixão.
E o que, de mais banal se tornou nosso objeto de desejo e poder. Por isso vivemos todos os dias de nossas vidas buscando quimeras perdidas no lixo destas conquistas vazias e desprovidas de valores eternos e incrivelmente evoluídos.
João tinha a emoção nos olhos. E eu a lágrima derramada por nós dois.

Ele queria manter-se afastado de qualquer situação invasiva. Eu seria sua interlocutora e de certa forma, ás vezes me identificava com ele e creio que muita gente ao ler este livro vai se identificar com ele. Na verdade João era a possibilidade do ser humano ser assim. Chegar a superar e atravessar as barreiras que impedem um homem de perceber o todo que o envolve e ligeiramente fazê-lo mudar de consciência, dando a ele a chance de conhecer em vida, mundos que estão além da nossa limitada e programada forma de conceber as coisas.
__Todos somos estrelas que erram de destino. Disse João.
Prontamente me lembrei de como já erramos em relação ao nosso amor ao próximo. Como fizemos trapaças no caminho onde quem manda é a Lei superior. E todos os caminhos afetam diretamente uma coisa que temos nos esquecido de valorizar: a VIDA.
Temos essa atração pela democracia, é porque precisamos muito manifestar o que pensamos e o que sentimos. Nos esquecemos de prestar atenção para onde estamos indo.



__Não se trata de reformas políticas. Disse João.
Lembrei que seria péssima em fazer reforma política porque eu envenenaria a Corte e seus bajuladores de modo que não sobraria nenhum gangster para empatar com Al Pacino. O buraco em que a humanidade estava se metendo só apareceria grande; alguns anos depois. Superstições ajudaram as facções de controle intelectual, João estava certo, ali realmente não era mais o nosso lugar.












Até meados de Outubro do ano de 2010, João esteve na cidade de Belém. Logo que terminei minha pesquisa no Marajó fui ao encontro dele no enterro de sua mãe no ribeirinho.
A vida trás esse carro alado de idealizações. Projeções que nos fazem mudar de destino e fatalmente nos esquecemos do essencial. Mesmo cheia de variações no caminho, de tantas relações interpessoais, sempre que me lembrava de João dormia em sonhos sonoros de um espaço sideral em mim submerso. Assim se passaram cinco anos terráqueos.
Nesse intervalo sem João, me fiz perguntas sobre a sensação de tempo acelerado e me vieram respostas um tanto estapafúrdias. Por isso fiquei a ter caso com a minha descoberta num silêncio consciente, em respeito a um amigo que viaja mais longe que as naves da Rússia. Tudo tão real que meus ouvidos captaram o som assustador do metal em disparada. O céu de sutis formas e mecânica simples fazia parte da oitava dimensão, um lugar onde João queria ter ficado. Ele experimentou ser a onda e não o corpo.



Em 2010 as pessoas estavam à espera de 2012 porque seria o ano dos realinhamentos. Por dois anos, milhares de pessoas olhavam para o céu. Muitas coisas estariam lá. Por fim, quando o tal ano chegou um punhado de gente havia compreendido a maior das revelações. A possibilidade de uma galáxia central tornou-se um estudo coletivo e trouxe esperança coletiva. Um pouco atrasado para a terra, mas finalmente em 2012, o Cosmo se tornou realidade fundamental.
Bem antes de um poderoso radiotelescópio russo encontrar sinais de inteligência alienígena com um sinal potente que despertou o interesse de toda a comunidade científica; um centro para o estudo de inteligência alienígena já havia sido fundado pelo Dr. Stevem M. Greer. Claro que João já havia recebido a notícia bem no início da década de 90. Desde a sua visualização da Estação 0.1, ele se tornou um pesquisador sério, que por iniciativa própria, tem doado parte do seu tempo em experiências que suas viagens fora do corpo lhe concebem.




Em nossa ultima conversa no enterro de sua mãe ele desabafou:
- Não posso compactuar com essa mentira, que o poder central divulga para o povo. Das mais esclarecidas as mais leigas. A verdade é que a nossa tecnologia não é tão mera assim. O petróleo, a combustão, a eletricidade tradicional. Quantos anos faz que o homem, aprendeu a extrair energia solar? Há quantos anos aconteceu á invenção do carro movido á água? Há quanto tempo que o homem inventou a bomba atômica? Em 1945 e em poucas décadas enfrentaremos ameaça radioativa.
Quantas pessoas vão acreditar que não estamos sozinhos no espaço, não interessa. Não há limite no universo quântico. Mais importante que receber visita extraterrestre, é a certeza de que estamos presos em conceitos atrasados sobre a nossa criação e principalmente sobre a nossa capacidade, como ondas vibratórias que somos, de atravessar esse muro de ossos e pedras, que soterra nossa liberdade intelectual.
Estava arrumando meu cabelo quando escutei a noticia de um som diferente detectado pela tecnologia russa; isso em 2015 e então, tive plena certeza de que minha aventura sobre as verdades estelares estava apenas começando.

Preciso admitir que muitas vezes, tentei fazer viagem fora do meu corpo, mas, não tive sucesso. Concordando que João é um caso raro no mundo, fiz a melhor das perguntas: Por onde anda João? E que estória é essa de sinal potente cerca de, 95 anos luz da terra?
Sei que João não precisa de antenas de radiotelescópio como aquela imensa parabólica de 300 metros que se direciona para qualquer ponto do céu em até 38 graus ao norte, lá em Porto Rico. Aquilo não é nada comparado ao equipamento sensível de João.
O Centro de pesquisa o limitaria, nem Facebook ele tinha! O que eu faria? Aliás, o que eu fiz?! Voltei ás raízes de João no Marajó. Não tinha expectativas de reencontrar ele por lá, mas pelo menos teria alguma informação sobre seu paradeiro.
Quando lá cheguei, na mesma casa de palafita o pai de João veio me receber. Perguntei por João e ele disse num tom revoltado:
__Aquele menino é doido! Ganhou uma bolsa para estudar no Rio de Janeiro, mas preferiu se enfiar numa cidade de pedra só com 300 cabeça de gente.


Foi esta a resposta desse filho perdido que eu tenho.
__E onde fica esse lugar? Perguntei. Então ele foi andando para uma sala minúscula, abriu uma Bíblia e tirou de lá um cartão postal enviado por João com seu endereço: Igatu, Bahia.
__Fica na Chapada Diamantina, um lugar místico do Brasil, respondi ao pai.
__Já ouvi falar desse lugar. Disse sorrindo e me despedindo então.
Na volta para casa, no litoral norte da Bahia á 40 minutos da cidade de Salvador, fiquei pensando sobre as coisas que vivi depois de ter conhecido João. O fato de estar à procura dele, me fez despertar novamente para o meu destino real. Algo estava me dizendo que em pouco tempo, grande parte da espécie humana irá viver uma nova realidade.
Cheguei num dia chuvoso na Chapada Diamantina. Além da mochila grande de trilha, luvas, lanterna, blocos de anotações e algumas canetas completava a bagagem. Quando cheguei á Lençóis, precisei trocar de carro e fui para uma dessas vans lotadas. A paisagem era cheia de vales em declive que guardavam algumas ruínas. Neste dia fazia frio de modo que a neblina escondia imensos platôs. Algumas horas depois na viagem sentia uma loucura progressiva fascinar meus sentidos.
A pergunta que não queria calar era: Por que será que João veio morar neste lugar? Será possível que a maior parte das notícias sobre objetos não identificados vistos na Chapada Diamantina seja verdade?
Em poucas horas sosseguei meus pensamentos ao contemplar a paisagem dos vales, das pedras e de toda a vegetação das montanhas. Escaladores que viajavam comigo estavam buscando aventuras radicais. Estamos indo para o labirinto com 50 vias de várias graduações, falou um deles.
Algumas horas depois a estrada foi ficando difícil. O motorista falou: Serão sete km penosos até a cidade de pedra. Vila de Igatu foi um povoado próspero que viveu do garimpo de 1940 a 1950, a alta da exploração do diamante negro em grande escala. Esse diamante atraiu mais de nove mil pessoas que construíram suas casas utilizando as pedras do local. Mas com o declínio do diamante a cidade foi abandonada, restando apenas casas fechadas e ruínas. Hoje vivem 360 habitantes que agora sobrevivem do ecoturismo.




A chegada à vila me deu uma espécie de nostalgia. O homem e a pedra exercem fascínio aos olhos de um astronauta estrangeiro que pode amar o nosso planeta mais que os seres humanos. Por mais invasivo que o garimpo tenha sido, até hoje os habitantes de Igatu se orgulham de dizer que o diamante negro encontrado em suas minas construiu o canal do Panamá e o metrô de Londres.
Com tão poucos habitantes não foi difícil encontrar João. Logo pela manhã do dia seguinte um garimpeiro me levou até a casa de João que ficava um tanto longe da vila principal de Igatu. Percorremos uma trilha de 40 minutos subindo a toda prova. No alto de uma montanha cercada de rios se podia vê uma toca utilizada pelos garimpeiros da década de 40 e nestes dias estava sendo habitada por João.
__João, caro João! Quanto tempo amigo!
O cumprimentei feliz.
__Minha amiga! Que vento lhe trouxe?
Disse João contente.
__As últimas notícias do mundo cósmico. Falei dando risada.


__Diga caro João o que é ondas gravitacionais? Que som é esse descoberto no espaço?
__Ora, não sou científico. Não faço parte da tripulação da Estação Espacial Internacional!
Respondeu João meio sarcástico.
__Eu sei, mas isso me intriga! Viajei até aqui para saber mais com você.
Respondi.
__Os científicos, tem uma forma completamente diferente de verem o cosmo. Bilhões e bilhões de dólares investidos em naves e experimentos sensíveis. Se encontrarem algo não vão nos dizer.
Contou João enquanto nos preparava um chá.
__Não! Já está nos noticiários! Você não vê TV? Não tem internet João?
__Sim. Respondeu ele servindo o chá. Imediatamente ele pegou seu laptop e me mostrou um gráfico. Uma representação bidimensional das ondas gravitacionais girando por duas estrelas de nêutrons orbitando entre si.



__Na física as ondas gravitacionais são ondulações na curvatura do espaço-tempo que se propagam como ondas viajando para o extremo a partir da fonte. Esta teoria é extraída da lei da relatividade geral. Há cem anos essa teoria de Einstein foi lançada e somente em 2015 essas ondas foram detectadas, abrindo assim uma nova era da astronomia. As ondas gravitacionais transportam energia na forma de radiação gravitacional.
Disse João.
- Se a gravidade é uma força da atração que age distorcendo o espaço e o tempo, então são ondas que se propagam no espaço é isso?
Perguntei.
- Sim. Na teoria da relatividade de Einstein, o espaço e o tempo são uma coisa só, o espaço-tempo. O espaço tempo para a relatividade não é uma coisa fixa, mas maleável. O abalo no espaço e no tempo foi provocado por colisão dos buracos negros que giravam em torno um do outro. O LIGO (Espaçonave da UEA) foi capaz de detectar as oscilações dessas ondas. A descoberta foi tão importante porque confirma a teoria de Einstein e os astrônomos agora poderão enxergar no escuro. Disse João.


__Como assim João? Como localizar fontes das ondas gravitacionais com mais precisão? Ninguém sabe onde ocorreu a colisão dos buracos negros detectados. O sinal veio do hemisfério sul, e isso é tudo.
E então, João, ficou em silêncio.
Ficamos a contemplar o céu: estrelas brilhavam, meteoros se exibiam no escuro, minha ansiedade enfim foi se dissolvendo. Algumas horas depois, João se deitou ao meu lado, se ajeitando para que pudesse ficar mais perto de mim e começou a falar num tom doce e sonolento.
__Os astrônomos disseram que existe um gigantesco vazio estelar no interior da Via Láctea.
__E o que isso significa João?
__Significa que não existem estrelas novas, por bilhões e bilhões de anos elas pararam de nascer. Nós somos tão velhos, tão antigos, assim como as estrelas. E nós carregamos este vazio. Ele também é nosso.
__João, para onde vão os astrônomos se estão olhando para o passado?


__Os astrônomos estão indo para o futuro cara amiga. É o destino deles; criar espelhos que refletem a magnitude do espaço. Espelhos que ainda não foram suficientes para detectar energia invisível. O espaço-tempo é um lugar muito calmo. As ondas gravitacionais são minúsculas, com milionésimos de milionésimos de milímetros. Parece loucura afirmar isso, mas, nós temos esta energia, ao menos um pontinho dela dentro da nossa cabeça. Temos uma magnetosfera própria. Tanta conquista no espaço e o homem ainda não olhou para dentro de sua própria mente dentro da sua cabeça.
Falou João.
Detida pelo sono. Apaguei meus sentidos no sofá cama da sala com a vista para o as montanhas de Igatu.
Acordei com o canto dos pássaros. A neblina e o cheiro de pitanga, que se multiplicavam por toda parte.
Meu amigo João veio me dar um bom dia cheio de alegria pela minha companhia na sua toca.




Falei o que se passava em minha mente:
__Estou assombrada com os corpos celestes mostrando seus trajes que não brilham no escuro. E também estou farta de fuçar as informações disponíveis. Chega a ser matematicamente chato. Falta poesia na Astronomia. Falta dizer que o cosmo é a nossa casa e que nossos vizinhos “diferentes” são irmãos.
__São coisas que tentamos com os seres humanos por milênios e ainda não tivemos sucesso.
Falou João.
__Mas não foi só por isso que veio parar aqui não é João? Perguntei. E ele não respondeu com palavras. No entanto, seus olhos falaram tudo.
__Talvez a engenhosidade do seu projeto não tenha a mesma mega estrutura dos experimentos do Ligo, Eso ou NASA, porém, suas antenas e magnetos próprios podem atrair outras ondas e detectar outros espaços.
Disse á João e ele riu gostosamente.




João falou de um projeto engenhoso. Tratava-se de uma sonda cerebral. Nano equipamento que serve para mapear o cérebro e detectar tumores cerebrais. Projeto bem avançado para a medicina, porque este é novo. Funciona através do som emitido pelo pensamento do enfermo. O som emitido é captado por um sistema acústico que reproduz o som em tempo real. É como se a gente pensasse a melodia e o equipamento capta e logo reproduz. Parece ridículo? Nossos i-fones e tablets também foram um dia.
João de onde você tirou essa informação? Perguntei curiosa.
__De um lugar muito distante do planeta terra. Um lugar onde os seres usam 90% de suas funções mentais e telepáticas. Um lugar fácil de acessar e difícil de sair.
__Por a caso é aquela estrela anã vermelha. Próxima à Centaurus, a mais próxima do nosso sistema solar?
Perguntei.
__Não. Disse ele. E prossegue.



__O futuro não está sendo visualizado pela minha perspectiva. O povo deste lugar foi escolhido por essas entidades estelares por um propósito inédito na compreensão humana. Além de ser um lugar rochoso e com muita água subterrânea; é também um lugar de aberturas cósmicas. Se os científicos se meterem niss, vão assustar estes seres espaciais. Eles já sabem sobre o terminal terrestre na órbita da terra. É uma estação que não se parece com a Estação 0.1, mas certamente já foram identificadas por eles.
__Parece que aqui o futuro já chegou nesse sentido de descobertas de seres inteligentes fora do nosso sistema solar.
Disse.
__Sim. Respondeu ele com a cabeça.
__Caramba! Deixa ver se entendi, você diz que o futuro está no céu do hemisfério sul? É isso?
__Sim. Ele respondeu com um riso.
__E onde fica? Perguntei a ele e ele me respondeu:
__Depende de onde é seu onde...
Falou enigmático.


__Ali! Disse ele apontando para a montanha em frente.
__Tá de brincadeira comigo. Falei meio decepcionada.
__Sério.  Respondeu ele.
__Foi por isso que veio pra cá então? Você viu nos noticiários fofocas de que objetos não identificados estavam aparecendo na Chapada Diamantina não foi? Perguntei á ele com dúvidas.
__Não exatamente. 30% dos casos são verdades. Jovens que acampam nos platôs desse lugar já viram luzes no céu que não eram estrelas. Disse João.
__Os discos são negros e só podem ser vistos se passarem por cima de nossas cabeças. Como isso não aconteceu a nenhum deles, viram apenas luzes. Falou ele.
__E a quanto tempo que isso acontece João?
__Desde a década de 50. No início só os garimpeiros e agricultores que moravam ou fumavam um cigarro nas montanhas podiam vê-los. Como eram pessoas simples e sem nenhuma instrução intelectual, nunca foram levados á sério. Por cinco décadas eles viajam por aqui.

__O motivo disso não seriam os diamantes? Perguntei e ele me respondeu:
__Não. As explorações de diamantes e outros minerais já acabaram faz muito tempo. Desde que inventaram o diamante negro sintético a exploração física declinou. Agora só existem ruínas de uma época explorada. Quase tudo foi levado para o exterior, pouca gente ficou rica. Quem mais lucrou foi Henri Ford que usou o diamante negro na fabricação dos seus automóveis em plena revolução industrial. O povo teve que abandonar suas casas e se mudarem para outros lugares da Chapada. Até hoje é difícil chegar aqui. Eu particularmente acho isso fabuloso.
Estamos cheios de casos de OVINIS nos noticiários! Chego a me sentir num filme de ficção científica, mas quando me dou conta, chego a ter dúvidas, do motivo de não chegarem a serem vistos de forma mais concreta. Mas é querer demais. É ousar querer tocar no santuário da criação. Falei a João com toda a honestidade.




Alguns dias depois das longas caminhadas por trilhas infindas, comecei a amar os vales e o som das matas, o rio subterrâneo com sua sugestão de princípio de tudo, o canto dos pássaros, as inúmeras orquídeas que encontramos pelo caminho, cristais que brilham nos rios mais quentes, quedas d’água. Momentos de orar em silêncio me foram possíveis. São relatos íntimos de uma caminhada alegre, de um recomeço nobre de realidades possíveis de humanos que amam o mistério e o cosmo. Mesmo que por muito tempo esta paixão tenha adormecido, não há dúvidas de que agora temos novas esperanças. Temos novas invenções e lições novas no sentido de ter aprendido lições velhas. Novas na abertura de conceber a natureza das coisas e a continuidade da vida.
Deparar com o vale e as pedras me levou a amar o perigo iminente do penhasco. Entendo agora o porquê esses seres estelares preferem um lugar sem prédios, instalações elétricas e hidráulicas, ultrapassadas. Carros movidos á gasolina. Objetos e pessoas emitindo ondas de desamor e materialismo. Lixo nas cidades. Lixo nas cabeças. Uma floresta inteira transformada em móveis para a elite.



Sabia que bastava descer do povoado e pegar a estrada que logo voltaria para a loucura das cidades. Mas o que aconteceu depois fatalmente modificou toda a minha estrutura pronta de cidadã das capitais.
Alguns meses depois, um grupo de estudantes chegou à vila de Igatu. Alguns deles queriam acampar em lugares mais difíceis, outros preferiam os campings com chuveiro elétrico. Quatro deles, estudantes de Campinas, decidiram que iriam escalar até o platô onde disseram que gostariam de ver as tais luzes estranhas. Acabei embarcando nesta tripulação. E o que nós vimos foi um espetáculo. Ás 11hs 20 de Dezembro de 2016 luzes incríveis iluminaram a montanha à nossa frente. Luzes que vinham de baixo dela; luzes que se espalharam pelo céu estrelado nos fazendo vibrar de emoção.
De onde vem? Como surge, é inexplicável.
O local é pedregoso e corre um rio em baixo e esse rio envolve toda a montanha. A vegetação é amena. O que os atraiu para cá?
Fui para casa ás pressas para contar o acontecido ao João. E ele disse:
__Pronto. Mais uma que enlouqueceu. Bem vinda ao clube.

__João como pode ser? Ninguém inventou nada parecido por aqui. Nenhuma tecnologia desse porte. Não tenho mais dúvidas, é claro que não estamos sozinhos. Sua estação 0.1 é real.
__Sim. Disse João e me abraçou.
Quando fui embora de Igatu, percebi que não era mais a mesma. Alguns dias depois, 150 bilhões de dólares na qual participam 16 nações foram investidos numa nave espacial. E a nova tripulação vai celebrar o natal e o ano novo a bordo da nave Soyus MS-03 que acaba de chegar á estação espacial internacional.
Os noticiários disseram também que os próximos anos serão os anos das conquistas espaciais, dos avanços da medicina física baseada nos princípios naturais, da ufologia e da física quântica. Serão anos de espetáculos porque estaremos olhando para o céu, nem que seja só para escutar o som enigmático do espaço.


FIM