Por Sylvia D' Sousa
Há um poeta fantasma que fala na nossa mente entorpecido de lirismo.
Há dois poetas que pelo tempo gasto com drogas e festas se contraem com algum tipo de letargia. E há outro que não se nomeia e que por 60 anos levou presentes para a tumba do seu mestre.
Desde a lamparina no quarto até a sombra das mangueiras do quintal alheio uma pessoa descreve a chuva, o vento, a safra e até mesmo quando as folhas caem e pode sorrir e chorar com isso.
Sofredor é o melancólico que amou tão profundamente chegando aonde o sol não entra. E como todo sofredor seu final foi trágico e mitológico. Mas ainda posso reler as matérias dos jornais da época.
Teve gente que se escandalizou com Tostói russo machista. E não souberam do sadismo de James Joyce. Ou não souberam que Agatha Cristie não desenhava as letras. E também devo lembrar a quem se esqueceu de que tanto Hamingway quanto Sylvia Plath herdaram da família uma herança suicidla.
Eu escrevo sentada em minha escrivaninha e se não a encontro e se estou num hotel. Escrevo como posso pra não ter mania de Victor Hugo que só escrevia em pé apoiado em uma mesa e era assim também Virginia Woolf. Uso tintas pretas e azuis. Pablo Neruda preferia verde.
Já escrevi belas estórias de heróis e poetas malditos. Quis a todo custo me destacar de alguma forma até mais que o segundo personagem e nem de longe poderia receber a gloria de Malba Tahan que morreu no deserto lutando por sua tribo.
E ainda se for falar dos homosexuais. Oscar Wilde também amou uma mulher. E nem todos foram poetas. Houveram compositores que se tornaram escritores. Sydney Sheldon começou numa banda.
Há aqueles que não se apegam ao antigo. Que cortejam a modernidade. Que tem a mente visionária a ponto de decolar tão cedo com tanta beleza. E trazem na forma e na fala uma linguagem libertária. Com fervor aos 17 anos a vida é sangue e tinta no papel. A vida fluí num tempo que não o encaixa e o esmaga entre o verbo e a sinergia dos sentidos.
Era assim Arthur Rimbaud. Esse rosto jovem e marcante. Amo com sua juventude eterna e sua poesia livre.
Todo dia ao acordar repenso um poema. E não o faço pela graça das métricas. Muitas se desbotam antes que alguém leia. E também muitas vezes a gente muda de ideia.
É que não dá pra correr com o tempo. Silenciosamente ele se desfaz. Toda noite sei e sinto a minha própria solidão e como lidar com isso sem fumar um cigarro?! O céu depende de uma nota ou uma frase porque então ele não existe. O vento precisa soprar e a terra precisa também que você pense e que você esqueça. Ou que interprete uma obra prima.
O isolamento do escritor é uma tradição. Uma lenda e uma verdade.
O café. A cocaína. O haxixe. A maconha e o tabaco se mesclam com a alma daquele que cria.
E não é de agora. Será que poderão lembrar de Charles Baudelaire? O poema do Haxixe não deixa de ser uma viagem muito próxima da nossa realidade. Embora eu não pretenda ser Deus.
Daquela que dominava meu idioma e que mais perto esteve das minhas inspirações quero aprender e gravar na memória seu rosto e suas obras. Mas quero lembrar do pouco que a vi falar quando no final de suas inspirações sentiu o vazio da vida que já não se expressava mais como antes. Da vontade de ligar o gás da cozinha e botar a cabeça no forno.
A loucura de Clarice Lispector é brilhante ! Fiquei mais a vontade com seus livros do que com a minha nudez. É que no final a gente interpreta e se liberta.
E por falar em liberdade. Reconheci na pele de uma escritora que buscamos o movimento nas palavras. A MELODIA das estórias nos dá a chance de achar na sua essência uma criação pessoal na construção de um personagem. Que aos poucos terá vida própria.
Mas não devo terminar assim este texto. Deles todos serei a menos implacável. Por sorte ou azar tenho contato com as ciências arcanas.
Minhas estórias foram as menos preciosas neste mar de informação e construções de personagens narcisistas. Notei nas plataformas que há uma febre por estórias e personagens híbridos e ainda estão em alta aqueles velhos vampiros em trajes mais sofisticados é claro.
As séries de amor são as mais idiotas ao meu ver. Porque trás uma conotação sexual muito clichê.
E enquanto eu procuro por um livro raro, o preço por um usado me assusta! E maior que o preço é a quantidade de livro disponível: Apenas dois em todo o planeta.
Encontraria em outras edições certos magos cabalísticos muito mais equipados salvos do século XIX. Pagando menos da metade. O estilo do novo Drácula por exemplo faria Bram Stocker revirar os ossos na tumba.
E devo me lembrar dos filmes que dão importância aos escritores seletos. Mas se esqueceram de garimpar novos talentos.
As Editoras que invadiram a nossa praia com traduções de obras estrangeiras. Das estantes lotadas de obras MADE USA. E quase nada dos blogs daqui. Tem muita gente boa que escreve ficção. Mas que de repente tá perdido entre um nicho e outro. Ou tá fumando um baseado na praia.
Vamos construir uma mundo novo em cima de todo esses escombros. Estou mesmo preparada para me libertar de Sócrates, Platão! Sou de uma academia undergroud e somos perseguidos pela lei.
Podemos arrastar uma multidão com alguma novidade. Podemos cega-las com bobagens.
Esse reformatório psicodélico que alguns chamam de misticismo nas literaturas jovens é na verdade um apelo ás novas drogas e dessas novidades o inferno tá cheio.
Em tom sublime é vendida a literatura.
Edgar Allan Poe morreu pobre. Jack Kerouac também. Oscar Wild gastou tudo o que tinha. Um escritor não é um Pop Star. Ele deseja ser uma estrela que brilha por conta própria.

