domingo, 23 de junho de 2024

Diluição

 



Não sou como gostaria de ser.

Mas amo o meu corpo.

Talvez eu o embriague muito. Talvez eu o force a sentir náuseas, dores no peito, pensamentos suicidas.

Sim foi por isso que ontem decidi me atirar de uma ponte. 

Mesmo sabendo que esta é uma morte tão clichê. Não teria mais sangue pra escutar as críticas. E certamente poucas pessoas dariam falta do meu sumiço.

Não contribuir muito para as simpatias. Isso desde pequena. Sem fazer cara feia. Era só pelo fato de não conseguir sustentar o olhar por pura timidez.

Também não dominava a sensualidade que era nata e as pessoas pensavam que era voluptuosa e volátil.

Na verdade teria sido muito sincera se tivesse mais chance de dominar a natureza fatídica e desproporcional para uma boa moça.

Isso pode agredir a aristocracia.

Que fala em vestes de gala 

E contam mentiras com classe.

Criar meu universo foi uma grande saída que durou até entender que mundos se chocam. Por ser casual. Por ser caótico. Por ser relativo. Por ser gigante. Invisível ou  pequeno. 

Tudo isso acaba quando alguém te vê.

Você espera ser alcançado. Compreendido e amado. 

Então a gente cresce e começa a saltar de um extremo ao outro.

Talvez com vontade de fugir dessa nossa parte que é uma sombra inquietante.

Se transforma em coisa que não queremos.

Sem que possamos arrancar!