segunda-feira, 1 de março de 2021

Introdução a Liberdade Consciente

"Uma parte de mim que deixo para ti"

Para: Juh

Nostalgias me lança para o período das primeiras crises. Que não era retirar os meus seios; nem injetar testosterona; havia uma revolução por minuto e quando se tem 16 anos, a erupção salta na cara. Hormônio curioso onde os devoradores disfarçadamente comerão a presa, mais leve , mais doce, mais fácil. Ninguém se aproxima de um selvagem assim simplesmente se não com o desejo de feri-lo.  
Já é tarde eu sei pra tentar entender o ofício da vaidade. Quando era realmente e aparentemente bela, eu nem sabia disso.
Também não sabia que a vida é uma corrida de cavalos. Vence o mais forte, o mais ágil, o mais saudável. E até mesmo sua arcada-dentária precisa estar impecável.
Mas por que raios tão jovem aos 43 tenho a impressão que a vida me viveu aleatoriamente. Mas por que raios eu me sinto assim esgotada pela praticidade com que as coisas comuns fluem. Sem nenhum atrativo intimista. O mundo é pálido e cheira a lixo nas esquinas. Não me identifico com isso. Sou morador das estrelas, estou aqui porque fiz uma péssima escolha. Paradoxo de ideias, músicas contemporâneas, náuseas , fome de desejo, fome de esperança. Não há nesta realidade nenhuma terna mão que me acaricie. Estou dura e sou dura como pedra. Mesmo porque tem pedras que crescem com o tempo.
Sei falar de amor sem ter vivido o melhor deles. Justamente porque a vida do terráqueo é uma metáfora mesmo. Se ele for tolo, ele é quase jesuíta. E se ele for científico, ele também é um mago. Se ele pretender ser bonito por natureza, ele é como eu fui, na idade certa.
O tempo são ossos no deserto. Os olhos de ontem agora são passivos. Esperam sem esperar. Dão as mãos sem perguntar nada. Se beijam assim em silêncio. Despidos, dormem juntos e constroem um castelo seguro entre o céu e a terra.
Porém agora, este amor não precisa se justificar.
Procuro o início da minha aventura. Sempre platônico, sempre etéreo. Meu clima para o ideal , para o imortal e para o surreal nunca foi uma coisa escondida. Sempre sofri e sofro por isso. Perturbadora Mente de um ser laborioso. Que pode se entregar também aos manuais práticos; de culinária, jardinagem e até circo.
O grande vendedor de sonhos quer me fazer a pergunta chave; porque estou perdendo a vontade de me disfarçar. Ele quer saber se eu gostaria de renunciar a uma loucura. Uma loucura autêntica. Dessas que você só faz uma vez na vida e eu respondi que não. 
Não estou preparada para conhecer o lado cético das coisas. Mesmo sendo tão plantada. A loucura que eu cultuo é a minha estrela guia. Ela rege a minha essência. Eis porque não é fácil saber na hora o motivo da nossa queda ou de algum tipo de sofrimento. A lágrima é instantânea e natural. Algo não coube mais em algum lugar da gente. Esse lugar não teve mais espaço e transbordou.
Por esses caminhos ando. Também estou cansada de justificar a forma como sinto uma presença; uma espécie de sonho... uma loucura perfeita que não se vive nunca de verdade. É o jogo da luz na escuridão. O filtro pra isso e para aquilo. Os jogos de azar. Deixei  esse mistério ser investigado. E por isso pareço dançar numa rua morta. Nunca deveria olhar  para aquela joia. Porque estava nos braços da castidade por sete anos. Estes sete anos foram a escola da qual poucos podem se graduar. Foi uma escolha da qual até agora não pude constatar se valeu à pena. O exercício dessa parte difícil de passar é não ter muito para querer de ninguém. Talvez isso te sirva como resposta. 
A liberdade que persigo ainda não tem nome, disse Clarice. Mas assim como morre uma poesia, nasce um dia um verso e uma esperança. 



       Sylvia D'Sousa escreve desde os doze anos. Escreve contos, poemas, romance, entre outras belas criações literárias. Atualmente vive na Bahia e está finalizando seu terceiro livro NO SALÃO CERIMONIAL ; livro de ficção baseado em fatos reais. Seu primeiro livro chama-se DE VOLTA Á OCCITÂNIA publicado pela editora Fontenelle de S. Paulo 2014. O segundo é ESTAÇÃO 0.1 disponível em versão digital pela Amazon e finalmente o que ela chama de meu melhor presente: No Salão Cerimonial: Uma reunião de assuntos ligados ao ocultismo e Magia cerimonial. Para falar diretamente com a autora entre em contato via e-mail cherie.diasdesousa@gmail.com ou  stagram: cherie.diasdesousa.





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