quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Adeptus


2014 foi um ano mais solitário da minha vida. Um ano de muitas decepções, desordem mental, dificuldades financeiras e relacionamentos destruídos.
Bem difícil aspirar o bom e o belo nesse momento. Ainda mais quando se decide enveradar-se pelos mais diversos conhecimentos. Querer explorar o mais inacessível universo a fim de buscar verdades que sua alma almeja. Este é sem dúvida um exercício muito íntimo e solitário.
Portanto, não devo me prolongar nas comédias da vida privada. De certa forma estaria presa a uma novela repetitiva como a Roda De Sansara: O fluxo da existência condicionada que nos torna limitados em nossa racionalidade. Limitados em nossa criatividade -dentro de um corpo- uma aventura intensa e passageira. Que certamente se dará por puericia nossas mais originais aspirações.
Esse deve ser o motivo de não poder ascender do grau de Adeptus menor para Adeptus maior com menos de 40 anos de idade. Mesmo que se conheça os mais requintados filósofos modernos; nenhum deles terá a aparência de um jovem ou de uma princesa presa nas masmorras do seu castelo 
Eles possuem rostos mais expressivos; cheios de sinceridade. Quando eram poetas; esse rosto jovem e apaixonado era apenas uma casca que tão breve passa e desgasta.
Nós precisamos crescer para refletir a sabedoria eterna.
Abandonar nossas suposições e perspectivas terrenas. A verdadeira jornada é interior. Por isso precisamos quebrar certos padrões para poder encontrar algo muito maior. Buscar com perseverança ensinamentos que afirmam a continuidade entre espírito e matéria. E com o tempo podemos definir melhor amor, amizade, companheirismo, sofrimento, solidão, arrependimento, abandono, traição, amor não correspondido, sendo este o mais tolo dos anjos que caem.
Sua verdade tem uma mistura de sensualidade e suas traquinagens são sempre extremas e fatalistas. Se pode brincar com o que é sério. Então por isso se tornar um adepto maior exige uma certa maturidade e alguns cabelos brancos.
É difícil dizer adeus ao amor jovens. A juventude que aspira a felicidade na liberdade. Ele certamente se sentirá muito a vontade com a falta de compromisso. 
Temos que saber que a vida mundana não perdoa a nossa felicidade. Ela não aposta em nada. Passa um dia após outro e tudo vai ficando obsoleto como artefatos em exposição no museu. Ali estará a máquina de escrever, o rádio de pilha, a fita K7, o disco de vinil, o gravador de voz, o primeiro computador, o primeiro celular, o primeiro tablet, até chegar o dia em que vc se dá conta que a juventude já se foi.

domingo, 23 de junho de 2024

Diluição

 



Não sou como gostaria de ser.

Mas amo o meu corpo.

Talvez eu o embriague muito. Talvez eu o force a sentir náuseas, dores no peito, pensamentos suicidas.

Sim foi por isso que ontem decidi me atirar de uma ponte. 

Mesmo sabendo que esta é uma morte tão clichê. Não teria mais sangue pra escutar as críticas. E certamente poucas pessoas dariam falta do meu sumiço.

Não contribuir muito para as simpatias. Isso desde pequena. Sem fazer cara feia. Era só pelo fato de não conseguir sustentar o olhar por pura timidez.

Também não dominava a sensualidade que era nata e as pessoas pensavam que era voluptuosa e volátil.

Na verdade teria sido muito sincera se tivesse mais chance de dominar a natureza fatídica e desproporcional para uma boa moça.

Isso pode agredir a aristocracia.

Que fala em vestes de gala 

E contam mentiras com classe.

Criar meu universo foi uma grande saída que durou até entender que mundos se chocam. Por ser casual. Por ser caótico. Por ser relativo. Por ser gigante. Invisível ou  pequeno. 

Tudo isso acaba quando alguém te vê.

Você espera ser alcançado. Compreendido e amado. 

Então a gente cresce e começa a saltar de um extremo ao outro.

Talvez com vontade de fugir dessa nossa parte que é uma sombra inquietante.

Se transforma em coisa que não queremos.

Sem que possamos arrancar!