terça-feira, 1 de agosto de 2017

07 de Fevereiro

Aos meus olhos o céu púrpura dos meus sonhos de paixão
se deleitavam na imagem fúnebre da morte sem perdão.
Era o dia em que eu nascia, entre, a contemplação da terra e o lamento da escuridão. 
No meu poema jovem e inocente, reservei para a nossa noite palavras de um amor impossível no dia seguinte.
Da minha pele exalava o vício de um bêbado feliz! Que sob a chuva aguardava o calor de sua mãos que tão mágicas me florescia.
Minha caneta abria estradas que o vulgo nunca vai conhecer.
Nem o cético entenderá do que se trata esse clamor de bem e esse esplendor de mau. Um sonho que se estende até o mais solene efeito de duas almas fêmeas que se descobrem nuas no leito imaculado dos amantes virtuais.
Foi o amor que não se viveu que veio assim, me libertando do cárcere de mim mesma. E quando acordei para a vida real, a minha senda se abria em risos e poemas . E com lágrimas na face entendi o seu adeus.

Minha vida estava nova. Pois, eu tinha a chave da mais solitária criação. Um poeta que nascia, um aventureiro sem destino, numa cidade que dormia, num caminho cheio de peregrinos. Escarpadas montanhas me ocultava o júbilo dos perfeitos enquanto me arrastava a conhecer tudo o que o céu escondia. 
  
Havia na sua voz a indignação mais humana como se estivesse se perdido no cenário futurista sem raiz e estivesse atravessando a era que nunca me compreenderia. Pactos e laços nunca poderão ser iguais.  O beijo mais doce do amor era quase surreal, mas bastava fechar os olhos e viver as duas faces: a que a ilusão enfeitava e a que a realidade exibia. Nunca poderia suspeitar que não existia romance algum, entre duas estrelas efêmeras, antes fosse tarde para amar um amor de paixão.

Nunca poderia deixar de ser um segredo aquele dia em que resolvi te seguir.
Nunca deveria denunciar minha inquietação e nem meu encanto por ti.
Foram os meus prantos que te diluiu em mortal me levando o melhor dos dons. E nas ruínas do castelo destruído plantei uma única flor.

Divino é o sino que anuncia o anjo. É o silêncio dos que amam. Mas eu só compreendi que a vida estava em outro lugar quando venci toda a condenação da vertigem. Não era momento de recuar! Fui contagiada, sofri o encanto, conheci o tormento delicioso! Talvez o conhecimento seja o esforço de um espírito que resiste e se defende no seio da tentação. Meditei a vertigem e a deixei em paz até sumir...

Deus, quanta renúncia! Como dói perder uma amiga!
Por mais que tentasse saltar as barreiras foi a luta que nunca quis.
O palco da felicidade me apresentou  "o amor recíproco infeliz."

Então deixei ir a ilusão que fui capaz de conceber como a coisa mais importante da minha vida. 
Para estar na graça de uma presença que só poderia existir por um instante.

Sylvia D' Sousa

7 de Fevereiro
Para
CcCco

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