terça-feira, 1 de agosto de 2017

O tempo e o mar

Cai a tarde simbólica dos nossos desesperados credos. Cai a capa, a espada cega, caem as flores, cai o homem. Veremos a felicidade se partir no infinito, enquanto esperamos por uma reconstituição. Haverão corações suaves, cruéis, fiéis e a fragilidade dos injustos que brincam com as nossas dores, violentando sagradas lágrimas. Nossa ingênua escravidão foi longa! Mas abra os braços e sinta seu velho e peculiar amor; tocar com seu perfume, teu caloroso corpo, sua flamejante alma, assim docemente amanhece. Olhemos para longe, onde se perde a praia. Brumas escondem algo que não precisamos saber. Se abraçam um dia com outro e a nossa ânsia de prazer não seca. Cai nossa couraça, podemos tocar outra rara possibilidade de salvação. E da turva razão a paixão fatigante se veste de pensamentos sem sentido. Acorda-se no resgate de nós mesmos que ao fizermos o que bem entendemos conosco paramos por um momento escutando nosso cansaço. São como as ondas mais fracas; o pouso do pássaro em sua inesgotável jornada. Cai o medo. Cai a majestade. Todas. Todas as tardes cai um pouco do mundo em nós! Na noite que se aproxima saberemos manter a calma sem sujar a alma,com elegância as ondas vem e vão. E se vão os nossos versos, as nossas lágrimas e os nossos amores.

2 comentários:

  1. Muito Lindo Paty e profundo! sinto uma doce dor lendo suas palavras, profunda a vida, com tudo!

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    1. Foi num tempo em que não sabia fugir da dor. E a deixei se diluir no seu tempo ate não restar mais nada.

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