Nenhuma música, somente o vento e seu som é revolto.
Nenhum ser humano no salão de festa. Só um pássaro e está machucado.
talvez não voe hoje, talvez amanhã...
Nenhuma musa em carne e osso na sua noite planejada! Só um quadro anônimo exposto numa sala fúnebre onde esboça uma velha; enfiando a agulha no seu traje de Amélia meio triste.
Nenhum beijo roubado no jardim . Lamento são as coisas que te sinto.
Solidão e excesso de temor não compartido.
Vontade é que temos de fugir num arranque alcoolizado. Adentrar na madrugada vagabunda onde as cidades sujas ultrapassam a feiura do que é podre.
Entulhos de um dia anterior, poças semi-cheias, tocos de cigarro, restos de esperança
no rosto de quem ainda não havia pregado os olhos.
Nenhuma desculpa esfarrapada. A miragem do terror no exílio de si mesmo, abocanha esta dúvida sepultada no silêncio.
tua voz rouca de raiva! esmurravas o travesseiro na lembrança de uma dançarina fantasiada que prometia mais delírio. Impregnado de amor desmedido lhe via naquele momento. Onde até abraço sufoca, a desculpa fere e a beleza sangra.
Teu sorriso de batom negro esqueceu de ver como eu me movia antes do porre!
No dia seguinte eu possuía mil anos, de fé, amor e desenganos.
Nenhum verso. Assim estava: deitada no chão contando estrelas, pensando num morto.
Nenhuma vírgula separa o que o peito empurra para a boca. Para que mordam suas línguas afiadas, rasgando o dedo na guitarra, descontando sua ira na platéia.
Nenhum ódio deixado pra depois. Pra não amanhecer com seu gritos! A espera maior era tua doçura.
Mas o vulgo dizia sem querer ser notado: Mimado! imaturo! revoltado!
Aquela tua expressão no dia seguinte não incluía o futuro juntos.
Foi um surto meu experimentado num só gole.Eis um tipo de insegurança assumida e estampada na minha cara. Morri num dia, nasci num outro.
Foi mesmo o amor que nos lançou um atributo não reconhecido.
Nenhuma palavra pra ensaiar na tua volta. Foi tu o anjo que desceu no meu sufoco, com a noite comprimida nos olhos.
A ordem era para desligarem as luzes.
A ordem era pra dançar na chuva.
A ordem era pra não fazer feio.
A ordem era pra arrancar suspiros.
Me lembro de que alguém chorava enquanto voavam ardentes malabares.
A ordem era pra cantar, e se foram as horas, os meninos ofendidos, as garotas loucas e o encanto, onde foi morar?
Talvez tenha se refugiado no semblante de quem sabe apreciar a imperfeição.
O encanto deixou de ser uma criança. E foi morar nos risos sinceros, nos soluços profundos, nas mãos do regente!!! por Deus!
Nenhum Deus. Apagaram as luzes do salão, e lá estava chorando baixinho sobre a escada
um anjo de batom negro.
Cherie.

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